The Project Gutenberg EBook of Cames e a Fisionomia Espiritual da Ptria, by 
Leonardo Coimbra

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.net


Title: Cames e a Fisionomia Espiritual da Ptria

Author: Leonardo Coimbra

Release Date: June 13, 2010 [EBook #32789]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CAMES E A FISIONOMIA ***




Produced by Pedro Saborano




                        JUNTA PATRIOTICA DO NORTE

                             LEONARDO COIMBRA

                                  CAMES

                                    E A

                      fisionomia espiritual da Ptria

                             SEPARATA DE CAMES
                      (DISCURSO PRONUNCIADO NO TEATRO
                               GUIA DE OURO
                        NO DIA 10 DE JUNHO DE 1920)



                                PORTO MCMXX

                                  POR BEM




                                                MENINAS, MINHAS SENHORAS
                                                         E MEUS SENHORES:


Imaginai que, subterrneo e distante, vos corre sob os ps um regato, e
donde em onde a terra se abre em bocas de verdura, falando o refrescante
murmurio das guas profundas.

Assim so os Poetas.

A nossa alma  como velho arco de ponte, sob o qual flui o rio do tempo,
levando no seu curso as verduras da terra e as luzes do firmamento,
cabelos corredios de algas e filamentos luminosos de mundos, flres das
margens e cometas do Infinito.

De quando em quando, da nossa prpria alma tombam flres mortas que o
tempo leva e vai sumindo na imensidade da Distncia.

Voltaro a passar sob a mesma ponte os brancos corpos de Oflias, que
se afastaram, fluindo na algidez do luar?

Qual o rio que, atravessando os mundos, os traga cinturados e
reflectidos a repassarem as mesmas viagens, a repetirem o milagre do
encontro?

A Memria.

sse o grande rio do tempo regressando  origem, como peregrino que
fsse a ver o mundo e ao lar domstico voltasse, cabelos e alma empoados
das flres dos caminhos, rebrilhantes das pedrarias da terra e das
csmicas poeiras das alturas.

Mas a Memria  onda dum mar transcendente, que s conhecemos pelo seu
aromtico desenho na praia que ns somos e onde ela vm a morrer em
corpo de misterioso e estonteante perfume.

Longe de ns, fora do nosso Espao, nas dimenses que nos so vedadas,
nasce sse Mar; o fluxo e refluxo das suas guas desenha em nossos
crebros linhas de memria, que se apagam e destroiem, mal seguras do
instante em que fulguram.

A vaga brilhou instantnea e logo outra vaga de memria fez o
_esquecimento_ da primeira.

A conscincia flui adormecida e s escuras, mal entrevendo os
espordicos clares dessa Memria, que  semelhana da fosforescncia
dos nossos Oceanos s de longe a longe iluminam o negrume da vaga.

E toda a Vida  uma luta, um drama, um combate, um permanente esforo
para segurar a instantnea luz da Memria, vaga dum mar de Outra-Vida,
aflorando subtil a praia que ns somos...

A realidade  sse combate, levado a planos diferentes, e smente
vitorioso pela audcia dos Argonautas que se aventuram no grande Oceano
da Memria que, espontaneamente, em catadupas jorra do infinito corao
divino.

Os Argonautas do Mistrio so os sbios, os poetas e os santos.
Debrucemo-nos com les no arco da velha ponte e vejamos o mundo que passa.

O Universo passa, o tempo corre e nas suas guas precipitam-se as flres
marginais, correm reflectidos os mundos e os sis.

O Poeta ouve o murmurio que transita, fixa o instante fugitivo, e como
em chapa de ao candente as guas que recebe no peito so asas de nvoa,
asceno e fulgor, caindo no Mar transcendente da Memria em perfeito e
luminoso corpo de eternidade.

E assim o Poeta eterniza o instante... e assim o Poeta ergue 
Conscincia os mais incoerciveis movimentos da alma, e assim o Poeta
filtra no episodio a sua parte de eternidade, eleva sbre os individuos
transitrios a fisionomia espiritual das Ptrias, da Humanidade e Deus.

O Poeta gera o Sbio e o Santo.

O Santo  o homem do plano superior voluntariamente dado em sacrifcio
para que a luz divina, que o consome, guie e exalte os homens 
transcendncia de uma vida superior.

O fogo purifica as podrides, a dor faz do sofrimento quotidiano uma
coluna de fogo apontando os novos destinos e rumos.

_O Santo vive, na labareda do momento, o incendio da eternidade._

D o seu corpo ao sacrificio para que, no vazio que se frma, as ondas
da Memria se insinuem e aumentem o seu contacto com a terra, para que
os abraos dessas ondas se alarguem e cinjam todas as almas suplices.

O Santo  o Poeta praticante, as suas Canes penetram-lhe e modelam os
lbios, so seres vivos caminhando, humildes e amorosos, a cuidar as
chagas que, em ns, fizeram as mordeduras da Morte.

O Sbio  o Poeta vagaroso: debruado sobre a ponte, no vai em
companhia das vidas que fogem a cerc-las das guas da Memria para que
vivam e se no percam, espera que regressem e na repetio do que passou
v a grande unidade convivente de tudo o que existe. Procura a
_identidade_ que une os seres, espera na _repetio_ o reaparecimento do
que transita. A sua luta pela Conscincia  a mais humilde e serena.

A conscincia scientifica  cheia de abdicao do que  prpriamente
humano, comovida de respeito pela Unidade social do Universo.

O ascetismo do sbio, feito da possivel abdicao dos planos superiores,
leva-o  mais completa companhia com as realidades do seu plano. O
seu esforo para a conscincia  o mais vigoroso esfro para fixar o
desenho das vagas da Memria, sem a aventura argonutica de deixar a
praia em demanda do grande Oceano que a beija.

Mas aquelas partes da scincia, que so as fontes que a alimentam, os
ncleos de inveno, so ainda o mergulho duma alma nas mais altas mars
do grande Oceano da Memria.

O sbio criador  ainda e sempre o Poeta.

Newton e Dante so igualmente infinitos.

O seu pensamento tem sempre _oculto_, quere dizer que nenhuma leitura os
exgota, porque, pela parte em que mergulham no infinito Oceano da
Memria, so incomensurveis com qualquer modo de contar, isto ,
inexgotveis, eternos e infinitos. H, com efeito, uma distino, e a
unica que interessa, entre tdas as obras.

Aquelas cuja riqueza  exgotvel por um numero finito de leituras (e
quantas nem uma s leitura compensam!) e aquelas cuja riqueza 
_criacionista_ e excedente, pois aumenta com as prprias tentativas de
exausto.

Imaginai um Arquimedes procurando exaurir um volume terminado por linhas
curvas e  medida que ia descontando paralelippedos o fosse encontrando
novo e acrescido. Assim so os livros dos verdadeiros Poetas: sua
prpria alma, infinita ddiva do seu perfeito Amor.

Os outros... os outros podem ainda ser humildes soldados da Grande
Guerra contra a Morte, sustentando com firmeza os trofus das vitrias
j alcanadas.

Mas ai do livro que depois de lido uma vez no foi mais desejado ainda
que antes da primeira leitura! le leva dentro de si mais esquecimento e
morte que vitria e conscincia.

sses livros que crescem, e sem fim, so os fios subtis que prendem o
homem aos planos espirituais superiores, so as flechas dardejantes
do mistrio apontadas ao prprio corao humano.

 neste sentido que h livros revelados e s legiveis na iluminao da
prpria luz espiritual que os embebe.

, neste sentido, que existem bblias: vivas lnguas de fogo acrisolando
o pensamento humano.

A Divina Comdia, D. Quixote, os Evangelhos: outras tantas lnguas de
fogo ligando a terra com o firmamento.

sses livros sero humanos, pagos e divinos.

Tudo transita, flui e morre.

Ou nos salvamos todos, ou  impossivel a salvao.

O mais insignificante atrito duma areia pde inutilizar a mais poderosa
e perfeita mquina.

Um gro de esquecimento permitido no Universo introduzir a desproporo
que inutiliza a memria, ser uma perda singular que h de tornar
impossivel em qualquer outro ser a perfeita harmonia e conservao.

Um general no momento critico duma batalha poder acudir a um ponto
principal da sua linha, sofrendo em retorno pequenas derrotas parciais
em outros pontos. Essas derrotas parciais so o fumo de toda a labareda
que sbe, os resduos duma evoluo que se fez e ir recomear,
aumentada da vitria alcanada, no corao da primeira derrota.

O homem, que se eleva, s sustenta a sua fisionomia anglica ajudando a
evoluo, porque as foras de Morte ainda o ho de perseguir e, se no
continua subindo, h de degradar-se em caricatura animal.

No rio do tempo vo fugindo as cousas, os seres, os mundos e o homem.

O Poeta  o seu redentor.

A unica redeno  o grande baptismo no divino Oceano da Memria.

O Poeta revelou a conscincia aos homens, porque neles fixou e acendeu
aquela serena e firme estrela, que, no seu ponto de interferncia, os
raios do Amor infinito geraram em Memria.

Por essa Memria  o homem a praia onde marulham os oceanos de outras
vidas, o foco onde se reunem as vibraes etreas de todos os sis.

A Tragdia grega, D. Quixote, os Evangelhos, a Divina Comdia, Cames...

D. Quixote  a Bblia do Ideal!

O Ideal  a ausncia duma percepo espiritual,  nessa ausncia que se
insinua o Mistrio...

Eis porque o Ideal  presena invisvel mas activa, fecunda presena de
realidades superiores que, como o longnquo polo para a agulha,
polarizam a vida do homem, embora este as no perceba, nem toque.

D. Quixote  a prpria fome do Ideal. Fome insatisfeita no plano de vida
terrestre, porque  nesse plano a presena de realidades espirituais
excedentes.

Eis porque o D. Quixote  eterno; morto o planeta, le ser ainda em
qualquer vida a sua distncia a um plano superior.

D. Quixote vive em todos os homens, so as prprias asas do seu sonho, 
a ausncia e o desejo de Deus.

Sob sse ponto de vista, todo o esforo para a conscincia, que  a
prpria linha de evoluo dos mundos, da vida e do homem, a scincia, a
arte e a moral,  uma seduo quixotesca,  o influxo superior que uniu
a alma de Cervantes s realidades espirituais transcendentes.

D. Quixote  o Ideal; o Evangelho  a prpria viso espiritual exaltada
aos planos superiores da divindade.

D. Quixote  o cego impelido para a Beleza por um pressentimento
interior; Cristo  a prpria Luz abrindo olhos de percepo espiritual
na mscara pvida do homem.

D. Quixote  a subida das guas no vazio que o turbilho formara; Cristo
 a _asceno_ das almas na estrada de luz que a sua passagem incendiou.

A tragdia grega  a luta do homem com a Fatalidade, isto , das foras
de vida contra todos os residuos da evoluo amalgamados e condensados
num unico bloco de Fatalidade.

Por baixo do mais fcil e gracioso politesmo corre e flutua um
pandemonismo informe, recebendo todas as precipitaes residuais do alto.

Hesiodo e Eschylo passeiam entre as sombras; Scrates e Plato entre as
frescas claridades duma manh de Abril.

Mas Plato sabe que essas claridades podem ser as sombras duma outra luz
e a alegoria da caverna _vive_ a chamar a ateno do homem...

A Divina Comdia  o sonho de Jacob em plena vigilia,  a onda iniciada
num estremecimento da alma do Poeta e alargando e subindo, penetrando em
todos os planos da vida espiritual...

Argonautas do Mistrio que elevam a conscincia a eternas vises da
realidade.

Mas o mais insignificante Poeta  ainda capaz de fixar qualquer fugitivo
estremecimento e cham-lo para a vida no prprio instante em que
silenciosamente se ia fenecendo.

      *      *      *      *      *

A Arte  um formidvel fenmeno de osmose: a alma do artista ressoa de
tdos os estremecimentos da natureza e a natureza  pintada com as
tintas da sua alma.

O Universo,  convvio, por isso o artista retribui, e em excesso, tdas
as ddivas que recebeu.

_O Mar, o mar dos portugueses, entrou pelas rbitas do Poeta e saiu
cantando as oitavas dos Lusadas._

E to ntimo foi o abrao, to perfeita a transfuso que o marulho
longnquo do Oceano  esta prpria fala:

    Bramindo o negro mar de longe brada
    Como se desse em vo nalgum rochedo

Portugal encapela-se em ondas, a sua vida comunica-se e de praia a praia
 um abrao cingindo o planeta.

A vida do planeta  convivncia no Infinito, a alma de Cames ligou,
pelos fios invisiveis da memria, o Mar e a Ptria  vida espiritual do
Universo.

As oitavas dos _Lusadas_, ondas do mar salgado, so eternos
estremecimentos de Memria esculpindo no Infinito a _fisionomia
espiritual da Ptria_.

O homem pertence a vrios planos de vida espiritual:  cidado da sua
ptria, membro da sua religio, parcela consciente no Universo.

E cada plano  atravessado pelo esfro do homem-conscincia para a
conservao e para a Memria.

 por isso que em cada plano h nvoa e sonho e o homem estremece duma
nostalgia inquietante.

O homem  o desterrado de Soares dos Reis...

Se o Universo desde o sbio ao Poeta (e sem que prejulgue o problema
Mal)  convvio, a conscincia do homem h de procurar as relaes
csmicas na companhia das conscincias mais prximas.

Eis porque o homem, conscincia no Infinito,  cidado na sua Ptria e
une a sua voz  voz de seus irmos para erguer em cro a prpria voz da
Ptria. E, como as almas s crescem pelo sacrificio dos desejos de
separatividade que as fras da Morte nelas insinuaram, o amor da Ptria
 a primeira e a mais concreta experincia religiosa das almas.

Mal vai, no entanto, s Ptrias que, vtimas dum orgulhoso isolamento
demoniaco, no prolongam o sacrifcio das almas no alargam os
seus estremecimentos de amor at  vida csmica e infinita.

Se Deus  a prpria conscincia social, para que esta no pese e
adormea as almas necessario  que cresa e se ilimite em conscincia
social do Universo.

O amor da Ptria ser o amor dos homens e das coisas, encerrando-se em
eterno e renovado amor de Deus.

A voz dos portugueses, espessada, avolumando em ampliativos e excedentes
abraos, ser a epopeia da Ptria levando no seu canto o mar e a
paisagem, os homens, a terra e o cu.

As oitavas dos _Lusadas_ so as ondas do mar levando em espuma as
bandeiras das batalhas, trapejando ao vendaval dos heroismos, os sonhos
da raa, o amor, Coimbra e o Mondego, os montes, campos e boninas...

A crtica mais ou menos boticria entreviu nos _Lusadas_ uma _mistura_
do maravilhoso pago e do maravilhoso cristo.

 tempo de acabar com tanta incompreenso, de dizer bem alto que uma
obra de arte  um ser vivo, uma viva conscincia salvando para a Memria
o fluxo que transita. Jamais ser a mistura de mortes e quimeras.

H nos _Lusadas_, como em toda a labareda, uma parte incombustivel que
a chama no incendeia e tomba em inerte poeira de cinzas.

Incombustvel, quando o corao do Poeta no arde em to alto fogo
devorador que tudo queima.

 a erudio do Poeta, que fornece o alimento  chama, e, se o fogo do
pensamento  gnio, tudo arde em vivo lume de beleza e eternidade.

Por vezes, sim, por vezes o calor do pensamento no basta a requeimar
essa erudio, e ento na fluidez das oitavas boiam esttuas mutiladas
de deuses mortos e ausentes.

Mas sse  o fumo que faz toda a labareda humana  o sinal de
origem que, marcando a imperfeio do homem, sublinha a divindade do Poeta.

O pensamento vulgar, no subindo acima das mais prximas realidades,
ignora a natureza e o valor do simbolismo, chegando a supor que os
smbolos poticos so artifcios decorativos com que o Poeta procura
deleitar-nos a sensibilidade.

Da a ideia dum maravilhoso que, como as decoraes dos arraiais
minhotos, passa de poeta em poeta.

Se conhecer  relacionar,  sempre uma atenuada ou viva analogia a alma
do prprio conhecimento, que da scincia  arte  sempre, embora
diferentemente, um simbolismo.

O simbolismo pago  a grande concepo esttica da Natureza e da Vida.
As contradies entre o homem e a natureza resumem-se ainda s relaes
de silencio e convivio, que o homem encontra e harmoniza na qusi
tangibilidade dos deuses mal escondidos ainda no seio duma natureza amiga.

O murmrio da floresta  qusi o spro, repousado e possante, duma
respirao imensa; a tremulina de luz, que percorre o ribeiro quando um
rudo se ergue do estremecimento do canavial,  o prprio corpo da
Frescura a caminhar; o bulcio das selvas multiplicando e fecundando a
vida  a prpria Vida espalhada e vagabunda juntando-se para crescer; o
silncio pontiluzente, meditativo e severo, da Noite estrelada  a
prpria serenidade da distncia a olhar: stiros, ninfas, hamadradas,
nereidas, faunos e deuses passeiam por entre os homens...

O mundo  a convivncia ingnua, mas j os drages e as serpentes de
novo assustam e repelem a sensibilidade do homem.

le ter de reencontrar a companhia a dentro de si mesmo...

Se o corpo de Vnus  feito da espuma do Mar, a Virgem Maria  a mais
alta e translucida espuma da Alma.

Um paganismo simples e gracioso apreendeu na vida universal as mesmas
fras, tendncias e elementares vontades, que trabalham silenciosamente
nas profundezas do ser humano; mas j as lutas _titnicas_ revelam na
Natureza vontades inimigas, que nos assediam e oprimem.

Um titanismo vitorioso, coberto de glria e feridas, pode voltar a
ressentir a beleza ingnua, a inocncia e o bem, na frma da aragem que
embala as florinhas, na frescura humilde do arroio, na sombra acolhedora
da rvore, no sonho que trespassa a grande voz dos elementos.

Eis porque no h maravilhoso nem misturas de maravilhoso, h sim uma
voz humana que  contemporaneamente estremecimento da alma e do ar, que
fulgura, no ter interior e no ter envolvente, a mesma luminosa
geometria. Nos _Lusadas_ h alegria campesina, boninas, prados e
jardins, uma natureza inocente e sem mcula; mas h tambm guas que so
j lgrimas de amor saudoso, h montes e ervinhas que andam a aprender
no peito de Ins.

E a paisagem de Coimbra ainda hoje vive a repetir essas lies; na
Quinta das Lgrimas ainda hoje, da fonte correm sem descano, ressoando
em co, os versos desta oitava:

    As filhas do Mondgo a morte escura
    Longo tempo chorando memoraram;
    E por memria eterna, em fonte pura
    As lgrimas choradas transformaram:
    O nome lhe puseram, que inda dura,
    Dos amres de Ins, que ali passaram
    Vde que fresca fonte rega as flres,
    Que lgrimas so a gua e o nome amores.

A Natureza no existe fora da convivncia do homem. Ora simples,
silenciosa e profunda, duma inocente religiosidade elementar, ora
destroada e perdida se a no socorre a memria.

Fonte que  o simples murmrio da gratido das sdes, leito de
frescura da ninfa adormecida, translucida neblina das rendas que a
vestem; fonte que discorre em lgrimas as saudades dum amor distante...

_ esta Natureza que o Poeta tem de conquistar para a alma,  esta
natureza que a Ptria tem de desvendar para o mundo._

_Viajar  compreender_: por ignotos rumos procurar e levar companhia aos
seres e s cousas da distncia, alargar, dilatar a alma para alm dos
horizontes, ampliando o convvio, _contactando_ por maior superficie a
grande zona do Mistrio.

Ao partir para a viagem, acorrem tdas as vozes da tranquilidade
domstica, demovendo e comovendo, tentando prender o homem  firmeza das
ligaes criadas, temendo a deslialdade e o esquecimento.

H vozes de egosmo e de preguia, mas h tambem vozes profticas que
acusam a nossa vontade pecaminosa de no ir em busca de novas amizades,
mas de ambies e maiores egosmos.

Uma noite, era eu ainda colegial, senti, olhando da sala de estudo o
cncavo firmamento estrelado, a atraco dum astro distante, e a minha
alma infantil partiu sbitamente ao chamamento da distncia; de repente
um frio de isolamento, de abandono, me fez regressar instantaneamente ao
calor e ao abrigo dos homens, que, embora pouco carinhoso, me falava,
era meu, era convvio, conhecimento, mtuo amparo.

Jamais se apagou da minha memria essa _sensao_ nica, que hoje
suponho o primeiro e mais perfeito contacto do meu ser com o Mistrio.

Tambem, ao partir, o Velho do Restelo vir... E  despedida, h de dizer
egosmos, mas h de tambem prevenir os egosmos, as ambies e as
cubias para que no aumentem com o tamanho dos mundos que lhes vo ser
dados.

E o Velho sabe que a Viagem, a Epopeia,  uma obra prometaica, de fogo
de altos desejos que a movera.

O homem Prometeu  o homem dando o infinito aos seus desejos, partindo
para alm dos deuses familiares, correndo o risco de ficar s e s
escuras no Espao sem fim, onde s um novo Deus de infinito amor poder
ser companhia.

sse homem Prometeu, perdido e vagabundo, encontrou a mo de Jesus
reconduzindo-o a Deus; mas quantos ainda hoje passeiam num Infinito
mudo a desolada esttua de sua solido e tristeza?

A Epopeia vai fazer-se: os portugueses partem ligando os mundos, e, ao
dobrar da frica, o velho do Restelo  o Prometeu portugus, o Adamastor
petrificado, prevenindo de novo as almas das duras consequncias da
audcia, das dres companheiras de toda a criao.

O Velho desejara que o fogo dos altos desejos prometaicos no tivera
ardido, e profetizara com uma voz to sbia e prevenida que bem parece
ser a prpria voz dum doloroso saber de experincias.

O Velho acompanha a frota e de novo. Maior, Imenso e Tormentoso, quere
vedar o Mistrio, conter as foras de bem e de mal que os navegadores
esto prestes a libertar.

Profetiza e ameaa, mas, quando interrogado em palavras lusadas, conta
aos portugueses, ao mar e s nuvens, a tragdia esquiliana da sua aventura.

O irmo Prometeu roubara o fogo aos deuses, le quisera furtar-lhes o amor.

A Luz prometaica iluminara os mundos, mas o Espao regelado no fra
comovido por essa fria luz da inteligncia: a candeia crist vai
purificar e aquecer essa luz e ser o Amor a Grande Presena Universal,
dadivosa e inexgotvel.

Eis porque o Prometeu portugus tem um Cucaso-- o trminus do mundo
conhecido, aprisionado em contacto com as primeiras ondas do mundo
misterioso!

Eis porque Adamastor tem um abutre--os prprios braos do amor, regao
ondulado de Thetis, fazendo estremecer infinitamente a bruteza
penhascosa do seu corpo.

    Converte-se-me a carne em terra dura,
    Em penedos os ossos se fizeram;
    Estes membros que vs, e esta figura
    Por estas longas agoas se estenderam:
    Emfim, minha grandissima estatura
    Neste remoto cabo converteram
    Os deoses; e por mais dobradas magoas,
    Me anda Thetis cercando destas agoas.

O seu corpo  beijado pelas mil bcas do amor que o devora, e, abraado
 nvoa do corpo amado, sobe liberto o seu desejo, penetrando _em
lgrimas_ as funduras ocenicas em que se abisma.

E _chora_, _chove_, desfaz-se a nuvem negra e de novo o Sol reaquece
mais desejos...

Alma sedenta da Ptria, inextinguivel fome de imortalidade, com o amor
cravado no mais intimo do seu querer!

A fisionomia espiritual da Ptria traada a fogo no prprio corao do
Infinito!

E l vai Vasco da Gama num Mar, que no  do Planeta, levando a raa
numa Viagem sem termo a ouvir e libertar Adamastores, correndo num
pacifico Oceano de Memria a sua eterna aventura religiosa.

E, cantando com o Poeta, tdos ns somos j espectros duma outra vida,
formas duma luz transcendente penetrando o planeta dos estremecimentos
do Infinito.

 a Grande Viagem: O Gama ao leme, o Poeta fazendo do seu canto o
prprio Oceano em que vogamos, e ns, reconciliados com le, em xtase,
cantando a beleza profunda e eterna das almas...

Faa cada portugus as suas pazes com Cames e, de novo, no Infinito,
radiosa e feliz, a Ptria h de sorrir...


(Disse).





End of the Project Gutenberg EBook of Cames e a Fisionomia Espiritual da
Ptria, by Leonardo Coimbra

*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CAMES E A FISIONOMIA ***

***** This file should be named 32789-8.txt or 32789-8.zip *****
This and all associated files of various formats will be found in:
        http://www.gutenberg.org/3/2/7/8/32789/

Produced by Pedro Saborano

Updated editions will replace the previous one--the old editions
will be renamed.

Creating the works from public domain print editions means that no
one owns a United States copyright in these works, so the Foundation
(and you!) can copy and distribute it in the United States without
permission and without paying copyright royalties.  Special rules,
set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to
copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to
protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark.  Project
Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
charge for the eBooks, unless you receive specific permission.  If you
do not charge anything for copies of this eBook, complying with the
rules is very easy.  You may use this eBook for nearly any purpose
such as creation of derivative works, reports, performances and
research.  They may be modified and printed and given away--you may do
practically ANYTHING with public domain eBooks.  Redistribution is
subject to the trademark license, especially commercial
redistribution.



*** START: FULL LICENSE ***

THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE
PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK

To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free
distribution of electronic works, by using or distributing this work
(or any other work associated in any way with the phrase "Project
Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project
Gutenberg-tm License (available with this file or online at
http://gutenberg.net/license).


Section 1.  General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm
electronic works

1.A.  By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm
electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to
and accept all the terms of this license and intellectual property
(trademark/copyright) agreement.  If you do not agree to abide by all
the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy
all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession.
If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project
Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the
terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or
entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8.

1.B.  "Project Gutenberg" is a registered trademark.  It may only be
used on or associated in any way with an electronic work by people who
agree to be bound by the terms of this agreement.  There are a few
things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
even without complying with the full terms of this agreement.  See
paragraph 1.C below.  There are a lot of things you can do with Project
Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
works.  See paragraph 1.E below.

1.C.  The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
Gutenberg-tm electronic works.  Nearly all the individual works in the
collection are in the public domain in the United States.  If an
individual work is in the public domain in the United States and you are
located in the United States, we do not claim a right to prevent you from
copying, distributing, performing, displaying or creating derivative
works based on the work as long as all references to Project Gutenberg
are removed.  Of course, we hope that you will support the Project
Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by
freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of
this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with
the work.  You can easily comply with the terms of this agreement by
keeping this work in the same format with its attached full Project
Gutenberg-tm License when you share it without charge with others.

1.D.  The copyright laws of the place where you are located also govern
what you can do with this work.  Copyright laws in most countries are in
a constant state of change.  If you are outside the United States, check
the laws of your country in addition to the terms of this agreement
before downloading, copying, displaying, performing, distributing or
creating derivative works based on this work or any other Project
Gutenberg-tm work.  The Foundation makes no representations concerning
the copyright status of any work in any country outside the United
States.

1.E.  Unless you have removed all references to Project Gutenberg:

1.E.1.  The following sentence, with active links to, or other immediate
access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently
whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the
phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project
Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
copied or distributed:

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.net

1.E.2.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived
from the public domain (does not contain a notice indicating that it is
posted with permission of the copyright holder), the work can be copied
and distributed to anyone in the United States without paying any fees
or charges.  If you are redistributing or providing access to a work
with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the
work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1
through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or
1.E.9.

1.E.3.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted
with the permission of the copyright holder, your use and distribution
must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional
terms imposed by the copyright holder.  Additional terms will be linked
to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the
permission of the copyright holder found at the beginning of this work.

1.E.4.  Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm
License terms from this work, or any files containing a part of this
work or any other work associated with Project Gutenberg-tm.

1.E.5.  Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this
electronic work, or any part of this electronic work, without
prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with
active links or immediate access to the full terms of the Project
Gutenberg-tm License.

1.E.6.  You may convert to and distribute this work in any binary,
compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any
word processing or hypertext form.  However, if you provide access to or
distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than
"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version
posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.net),
you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a
copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon
request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other
form.  Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm
License as specified in paragraph 1.E.1.

1.E.7.  Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works
unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9.

1.E.8.  You may charge a reasonable fee for copies of or providing
access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided
that

- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
     the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
     you already use to calculate your applicable taxes.  The fee is
     owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
     has agreed to donate royalties under this paragraph to the
     Project Gutenberg Literary Archive Foundation.  Royalty payments
     must be paid within 60 days following each date on which you
     prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
     returns.  Royalty payments should be clearly marked as such and
     sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
     address specified in Section 4, "Information about donations to
     the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."

- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
     you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
     does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm
     License.  You must require such a user to return or
     destroy all copies of the works possessed in a physical medium
     and discontinue all use of and all access to other copies of
     Project Gutenberg-tm works.

- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
     money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
     electronic work is discovered and reported to you within 90 days
     of receipt of the work.

- You comply with all other terms of this agreement for free
     distribution of Project Gutenberg-tm works.

1.E.9.  If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
electronic work or group of works on different terms than are set
forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual
property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by
your equipment.

1.F.2.  LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right
of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project
Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all
liability to you for damages, costs and expenses, including legal
fees.  YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT
LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
PROVIDED IN PARAGRAPH F3.  YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE
LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
DAMAGE.

1.F.3.  LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a
defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can
receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a
written explanation to the person you received the work from.  If you
received the work on a physical medium, you must return the medium with
your written explanation.  The person or entity that provided you with
the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a
refund.  If you received the work electronically, the person or entity
providing it to you may choose to give you a second opportunity to
receive the work electronically in lieu of a refund.  If the second copy
is also defective, you may demand a refund in writing without further
opportunities to fix the problem.

1.F.4.  Except for the limited right of replacement or refund set forth
in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.

1.F.5.  Some states do not allow disclaimers of certain implied
warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
the applicable state law.  The invalidity or unenforceability of any
provision of this agreement shall not void the remaining provisions.

1.F.6.  INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.net

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
